Ética e Arquitetura: a responsabilidade de uma novíssima crítica em Portugal

Ethics and Architecture: the responsibility of a brand new critique in Portugal

Authors

  • Tiago Lopes Dias

DOI:

https://doi.org/10.46814/lajdv3n5-025

Keywords:

arquitetura, brutalismo, 1960s, crítica, ética

Abstract

O argumento do presente texto defende que o “Novo Brutalismo”, sendo indiscutivelmente um debate arquitetónico de origem britânica, era movido por um princípio universal: a adesão intelectual aos problemas do seu tempo. A luta contra o academicismo e o historicismo, a aceitação da realidade e das diferentes formas de cada cultura construir o seu habitat, e a crescente importância atribuída aos utilizadores da arquitetura, constituem pontos essenciais para a revisão dos modelos arquitetónicos levada a cabo no pós-guerra. Estes princípios despertam o interesse de uma nova geração de arquitetos portugueses cada vez mais crítica e atenta ao debate internacional, que os assimila por coincidência de interesses, mais do que por conexão ou influência direta. A metodologia adotada passa por recuperar alguns argumentos dos textos de 1955 e de 1966 do crítico Reyner Banham, o principal ideólogo do Novo Brutalismo, com particular incidência nas propostas dos arquitetos Alison e Peter Smithson e o seu papel no grupo Team 10. Após se introduzirem as origens e o contexto do debate, esboça-se o panorama da situação portuguesa nesses anos, com especial incidência na difusão da “novíssima” geração de arquitetos (sensivelmente, os nascidos entre finais de 1920 e inícios de 1930) por iniciativa da revista Arquitectura. Finalmente, apresentam-se os argumentos de dois representantes dessa geração —Nuno Portas e Pedro Vieira de Almeida— cuja relação com o brutalismo não reside em questões estéticas, de forma ou de tratamento das superfícies, mas sim em questões éticas, ou seja, de compromisso com a “utilidade social da arquitetura”. Num primeiro momento, expõe-se um debate em torno à habitação coletiva centrado em métodos e posições críticas, que se complementa num segundo momento com uma breve abordagem a uma obra de arquitetura na qual ambos têm responsabilidade.

The argument of the present text argues that the "New Brutalism", being arguably an architectural debate of British origin, was driven by a universal principle: the intellectual adherence to the problems of its time. The struggle against academicism and historicism, the acceptance of reality and the different ways each culture builds its habitat, and the growing importance given to the users of architecture, are essential points for the post-war revision of architectural models. These principles have awakened the interest of a new generation of Portuguese architects that is increasingly critical and attentive to the international debate, assimilating them through coincidence of interests, rather than through direct connection or influence. The methodology adopted involves recovering some arguments from the 1955 and 1966 texts of the critic Reyner Banham, the main ideologue of New Brutalism, with particular focus on the proposals of the architects Alison and Peter Smithson and their role in the Team 10 group. After introducing the origins and context of the debate, the panorama of the Portuguese situation in those years is outlined, with special focus on the diffusion of the "brand new" generation of architects (roughly those born between the late 1920s and early 1930s) through the initiative of the magazine Arquitectura. Finally, we present the arguments of two representatives of this generation -Nuno Portas and Pedro Vieira de Almeida- whose relationship with brutalism does not lie in aesthetic questions, of form or surface treatment, but in ethical questions, i.e., their commitment to the "social utility of architecture. In a first moment, a debate around collective housing centered on methods and critical positions is exposed, which is complemented in a second moment with a brief approach to a work of architecture in which both have responsibility.

 

Published

2021-09-22

How to Cite

DIAS, T. L. . Ética e Arquitetura: a responsabilidade de uma novíssima crítica em Portugal: Ethics and Architecture: the responsibility of a brand new critique in Portugal. Latin American Journal of Development, [S. l.], v. 3, n. 5, p. 2997–3013, 2021. DOI: 10.46814/lajdv3n5-025. Disponível em: https://latinamericanpublicacoes.com.br/ojs/index.php/jdev/article/view/767. Acesso em: 28 oct. 2021.